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ISE – Indice de Sustentabilidade Empresarial

ISEUm dos trabalhos que a Papagallis realiza, está ligado à conversações em comunidades empresariais, que desejam se tornar mais sustentáveis.

Mas o conceito de sustentabilidade é bem amplo, e cada um de nós tem (ou não) uma definição para ele. Existem entretanto alguns instrumentos que ajudam nós seres humanos a investigarmos as condutas de nossas organizações através do paradigma da sustentabilidade. Um deles é o Indíce de Sustentabilidade Empresarial (ISE), desenvolvido continuamente pela FGV, Bovespa e outras entidades que estão ao redor do tema.

Uma vez ao ano, empresas são convidadas a tentar entrar neste índice da Bovespa, através do preenchimento de um questionário de mais de 100 perguntas, divididas em 6 dimensões da sustentabilidade.

Isto já difere o ISE do triple bottom line, que considera as dimensões sociais, economicas e ambientais na sustentabilidade. O ISE adiciona mais 3 dimensões.

Abaixo coloquei as definições dessas dimenções do ISE a partir do artigo Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE): O impacto do anúncio da Carteira e o Retorno ao Acionista, Edson Aparecido Dias e Lucas Ayres Barros:

As seis dimensões do Índice de Sustentabilidade Empresarial o Questionário do ISE é revisado anualmente pela BOVESPA e, até o ano de 2006 foi dividido em seis diferentes dimensões. A seguir será apresentada uma descrição destas dimensões, e os principais componentes que são avaliados em cada uma delas:

I) Dimensão Geral

A dimensão geral engloba os compromissos fundamentais e voluntários da companhia em relação à sustentabilidade, e a sua ampla divulgação. Nesta dimensão são medidos critérios relacionados à transparência e a forma de reportar ações de sustentabilidade, por meio do balanço social e relatório anual; são incluídos critérios de consistência das diretrizes, cujo objetivo é confrontar as ações práticas, com a estratégia corporativa; e também, critérios de utilização de informações pertinentes aos clientes.

II) Dimensão Natureza do Produto ou Serviço

Nesta dimensão são medidos os impactos e riscos que o consumo e utilização dos produtos fabricados pela empresa podem causar aos indivíduos e à sociedade. Há, também,
critérios que avaliam o quanto a empresa está exposta a sanções judiciais ou administrativas.

III) Dimensão Governança Corporativa

Na dimensão governança corporativa são avaliados diversos fatores pertinentes ao assunto, como, temas relacionados aos critérios de propriedade, proteção dos minoritários, transparência na divulgação de informações; critérios relacionados ao conselho de administração, sua estrutura, atividades e remuneração; critérios de qualidade na gestão, forma de contratação de diretores executivos; e, critérios de condução e tratamento dos conflitos de interesse.

IV) Dimensão Econômico-Financeira

Nesta dimensão, o questionário avalia os processos de planejamento estratégico, a gestão dos ativos intangíveis e qualifica a empresa em relação aos riscos diversos. Há,
também nesta dimensão, os critérios relacionados ao desempenho financeiro e lucratividade e os critérios de cumprimento das normas legais de apresentação dos resultados.

V) Dimensão Ambiental

Na dimensão ambiental, verifica-se a existência de política corporativa ambiental; analisam-se critérios de responsabilidade socioambiental, bem como, gerenciamento e monitoramento das políticas socioambientais. Há critérios que também avaliam o posicionamento da empresa, no tocante ao consumo de recursos e emissão de resíduos e, finalmente, critérios relacionados ao cumprimento legal dos quesitos ambientais. Nesta dimensão existe uma variação do questionário para instituições financeiras. Esta diferenciação ocorre devido às características peculiares deste tipo de empresa.

VI) Dimensão Social

Na Dimensão Social, são avaliados critérios relacionados às relações de trabalho e formas de discriminação (raça, cor, gênero, orientação sexual); critérios de conduta empresarial, ética e, relações com o público interno (empregados) e externo (comunidade). Há critérios que formalizam as relações com os fornecedores e parâmetros para medir o quanto a empresa influencia e exige os mesmos padrões éticos em sua cadeia de suprimentos, por meio de avaliação sistemática de seus fornecedores; existem nesta dimensão, também indicadores de avaliação das demandas e satisfação dos clientes, bem como, indicadores de desempenho e cumprimento legal na esfera social (clientes, consumidores e fornecedores).

Veja aqui o Questionario 2009 do ISE

Página do ISE no site da Bovespa

Vivendo a diversidade

Botanical Garden (Stereographic)

Upload feito originalmente por Martin_Heigan

As conversações acontecem a partir da diversidade. Pessoas diferentes com opiniões distintas tem muito a compartilhar em suas conversações.

Cada um de nós tem uma maneira única de ver e organizar o mundo ao seu redor e essa experiência individual é sempre íntima e intransferível. Seguimos percebendo a realidade a partir de nossa história pessoal, nossa cultura familiar, nosso contexto social e mais uma série de fatores que faz com que vejamos a cada momento apenas aquilo que cada um vê, e nada mais. Não temos portanto uma realidade compartilhada, um ambiente percebido por todos como nossa única realidade. Estamos criando mundos, cada um de nós, a cada instante vivido.

Isso não significa que as coisas que estão ao nosso redor não estejam de fato lá, claro que estão. Somos afetados por tudo que nos cerca. O clima, as interações com outras pessoas, tudo pode nos tocar e disparar em nós em uma reação. Medo, esperança, desejo ou tristeza são apenas nossas reações ao meio em que vivemos.

E esse meio em que vivemos está repleto de pessoas! Gente prá todo lado. O comportamento das populações do outro lado do mundo pode afetar nossa vida. A atitude do nosso vizinho pode afetar a nossa vida. O que acontece em nosso trabalho, família ou bairro geralmente afeta nossa vida.

Então vivemos em interações com pessoas e com o mundo, e vivemos isso ao nosso modo, experienciando tudo a partir de nós mesmos, com grandes dificuldades em compartilhar nossas dimensões interiores com aqueles que estão ao nosso redor.

Surgem então as conversações. Em algumas ocasiões podemos nos sentar, ouvir e falar sobre tudo isso que se passa dentro de nós, e até mesmo perceber um pouco do que ocorre com quem conversamos. Histórias pessoais, percepções individuais, emoções e sentimentos vividos e relatados por alguém nos colocam em contato com dimensões humanas que estão sempre além de nossa capacidade em ver e sentir as coisas de nosso único e restrito ponto de vista.

Claro que tudo que ouvirmos em nossas conversações será ouvido a partir de nós mesmos, com nossas lentes individuais de ver o mundo. Não há como ouvir de modo isento o que alguém nos diz, e nem mesmo o que você diz pode ser ouvido por você mesmo sem que aí estejam os seus critérios do que é válido ou não!

Geralmente ouvimos e o que achamos válido deixamos entrar, o que não condiz com o que pensamos, deixamos de fora e ainda explicamos de algum modo porque aquilo não serve. Continuar lendo ‘Vivendo a diversidade’

As palavras e nossas certezas

elephant talk – Upload feito originalmente por gin_able

O significado de uma palavra se estabelece por uma definição. As definições estabelecem significados para as palavras, estas definições são compostas por outras palavras e portanto é correto afirmar que cada palavra se apresenta a partir de um outro conjunto de palavras, e assim por diante.

Normalmente pensamos que escutamos as palavras e as entendemos. Nossa capacidade de organizar as palavras em unidades maiores nos permite escutar frases. Organizando frases podemos escutar narrativas e histórias. Mas sempre tudo se reduz a nossa compreensão das palavras. Em nossa interpretação tradicional as palavras rotulam, nomeiam e identificam objetos, acontecimentos, conceitos, etc.

Ocorre que não sabemos o que é disparado na emoção e na razão de uma pessoa que escuta uma palavra que dizemos! Quando digo “liberdade”, o que você ouve? E quando você me explica: “Liberdade é um direito de todos”. O que eu ouço? Não sabemos.

Dizemos o que dizemos e os outros escutam o que escutam; falar e escutar são fenômenos diferentes.

Este é um ponto central. Normalmente pressupomos que o que escutamos é aquilo que foi dito, e que o dissemos foi o que as pessoas escutaram. Geralmente sequer nos preocupamos em tentar conferir se aquilo que escutamos corresponde àquilo que alguém está nos dizendo. Continuar lendo ‘As palavras e nossas certezas’