
Por Maria Fernanda Teixeira da Costa
Como parte das atividades da Papagallis durante o seminário “A Sociedade em Rede e a Educação” promovido pelo Instituto Vivo no dia 19 de março de 2009, facilitamos uma Investigação Apreciativa relâmpago . Com o tempo de duas horas, nosso convite foi trazer para a prática as idéias que estavam sendo geradas no programa, na parte da manhã e no dia anterior, por meio de um caso real proposto pelo Instituto Vivo. Nas palavras de Vivianne Amaral, participante do processo, “a conversação procurou responder ao seguinte desafio: Baseada nas experiências individuais, qual seria o melhor modelo para desenvolver um projeto educativo envolvendo 13 comunidades na região amazônica utilizando as tecnologias móveis, e num cenário onde alguns alunos ficam durante 15 dias em uma “zona escolar” e outros 15 dias em casa com sua família?” Para isso, contamos com um grupo engajado composto por estudantes, educadores, ecologistas, marketeiros, ativistas sociais, consultores e colaboradores da Vivo. Começamos o processo fazendo uma entrevista em duplas para levantar histórias dos participantes sobre a “liberdade para escolher”. A pergunta foi: “Quando você sentiu que tinha liberdade para escolher e isso foi significativo na sua vida?” Ouvimos histórias de empenho, mudança de caminhos profissionais, assumir riscos e nadar contra a maré que mais tarde na vida foram recompensadas.

Essas histórias mostraram ao grupo o tipo e alcance da energia de transformação ali disponível, colocada generosamente, em seguida, à disposição do projeto. Nos conectamos no futuro daquela comunidade, visualizando um momento quando o melhor que pode acontecer lá já aconteceu. O projeto “deu certo”. A comunidade, as crianças e suas famílas estão integradas em um modelo de educação inovador e dinâmico. A partir destas imagens compartilhadas e divididos em dois grupos, os participantes criaram painéis apresentando suas “nuvens de idéias”, sem a preocupação de convergir em um sonho único. Assim, surgiu o Rio Amazonas como metáfora da rede da vida e pano de fundo para a valorização e respeito à cultura local e às tradições orais, numa “escola que mostre o mundo e ao mesmo tempo se mostre para o mundo” onde afeto e cohecimento fluem juntos. Ao mesmo tempo que se brinca com a tecnologia, fortalece-se a rede local e a formação dos professores. Um barco laboratório com chão de vidro para o estudo do meio, a visão de uma ilha tecnológica, onde o intercâmbio, a gestão e a articulação com outras redes de conhecimento sejam possíveis completaram o cenário.

Os grupos apresentaram seus painéis em plenária e receberam colaborações da platéia, que respondeu às perguntas: Por que gostei dessa idéia? e Como poderia melhorá-la ainda mais? Ao final, ouvimos o comentário poético do Gracio Antonio dos Reis: “Havia duas escolas, a escola e o caminho da escola. Uma tornava a outra mais bela.” Agora que o caminho está iniciado, vamos fazendo e desenvolvendo esse caminhar com os participantes e os novos integrantes da rede.





