Arquivo para ‘Desconferência’

sábado, 24/janeiro/2009

Um artigo para o Flash Book de Juliano Spyers




bancadas

Upload feito originalmente por felipefonseca

SOBRE O OPEN SPACE

Os seres humanos vem construindo seu viver a partir de conversações. Vivemos mergulhados na linguagem e compartilhamos em grupos nossas experiências de vida desde os tempos das cavernas. Antes das sociedades patriarcais/matriarcais esse compartilhar acontecia na igualdade da legitimidade de todos os indivíduos. E formamos nossa cultura desse modo, aprendendo uns com os outros de modo livre e não ordenado.

Entretanto os modelos civilizatórios centralizados nos ordenaram em um outro modelo de convivência onde os papéis de pai, tutor, chefe, mestre e senhor surgiram promovendo a diferenciação entre quem sabe e quem aprende. Nossas escolas estão organizadas assim, as empresas se hierarquizam desse modo e em nossas casas também convivemos nesta dinâmica.

Quando Harrison Owen propõe o Open Space como método de organização para o encontro de grupos ele nos traz exatamente uma ferramenta de convivência que nos permite resgatar nosso modo de ser mais natural e fluente. Open Space então ocorre como um espaço aberto onde de modo livre e não-hieráquico podemos nos reunir para aprendizado, decisão, solução de conflitos ou puro entretenimento.

Academicamente o Open Space se inspira em inúmeras referências como a Aprendizagem Construtivista de Jean Piaget e a Aprendizagem Cognitiva de David Ausubel.

Owen em seu artigo “Opening Space for Emerging Order”, explica os Quatro Princípios do Open Space:

1) Seja quem for que veio,é a pessoa certa;

2) O que quer que aconteça, é apenas aquilo que deveria ter acontecido;

3) Quando quer que comece é na hora certa;

4) Quando acabar, acabou.

E acompanhando a Lei dos Dois Pés afirmando que, “Se a qualquer momento você encontra-se em qualquer situação onde você não estiver nem aprendendo ou contribuindo – use seus dois pés e dirija-se para um lugar mais ao seu gosto”.

Observem que estas leis não são regras s serem seguidas mas apenas descrevem o que ocorre naturalmente. Elas tem um efeito legitimador sobre nosso modo de ser espontâneo, nos livrando da culpa e punição por desejarmos abandonar uma reunião chata, ou divagar mentalmente enquanto alguém diz algo que não nos interessa. Os princípios de Owen não são norteadores, são liberadores!

Interessante observar que Open Space, o Bar Camp , a desconferência e outras formas de conversação livres em grupo, como o Woldcafé e a Investigação Apreciativa, surgem nos anos 80 a partir de pesquisadores acadêmicos no Canadá, México e Estados Unidos.

Enquanto a Era do Conhecimento se afirmava os modelos de relacionamento e interação presenciais começaram a não dar conta da demanda. A inteligência coletiva, o conectivismo, o aprendizado em rede e as diversas formas de conexão entre indivíduos passaram a exigir modelos de encontros presenciais menos hierárquicos, mais ricos em possibilidades e inovação.

Aqui no Campus Party 2009, vivenciando uma semana de encontro onde milhares de pessoas experimentam um mega Open Space, penso que esta comunidade deveria aproveitar esta oportunidade e se observar durante estes dias.

Muitos campuseiros são responsável diretamente ou indiretamente pela implantação técnica ou conceitual de milhares de redes sociais, wikis, blogs e microblogs,

Quem sabe alguns aqui poderão começar a enxergar que as interações digitais que todos almejam não passam apenas pelos recursos técnicos, linguagem de programação, interfaces e servidores, mas sim pelo espaço de relacionamento humano.

Termino perguntando provocativamente, como podemos desejar que as pessoas interajam de uma maneira inovadora nos meios digitais se nos encontros presenciais ainda mantemos os velhos modelos de reunião, palestra, aula, congresso e conferência?

Foi buscando esta resposta que entendi Harrison Owen e seu Open Space!

terça-feira, 13/maio/2008

Compasso de espera

Time  -Upload feito originalmente por leur1977

Com o anúncio do Governo de apresentar proposta de alteração da Lei Rouanet em 15 dias, o Instituto Pensarte resolveu adiar a Desconferência Geral, marcada inicialmente para o próximo dia 19 de maio.

Assim, será possível promover a discussão com base no documento apresentado pelo Ministério.

A nova data ainda não está fechada. Manteremos todos informados, ok?

segunda-feira, 12/maio/2008

Entrevista sobre a desconferência do Cultura e Mercado

Nos movimentos de divulgação da [des]conferência Geral da Lei Rouanet do Cultura e Mercado, fomos convidados para dar uma entrevista sobre a atuação da Papagallis neste encontro. Aqui está a íntegra do material enviado.

CEM: O que é uma desconferência?
A desconferência é um formato de encontro aberto, não-hierárquico e auto-organizado. Surgiu no final dos anos oitenta de modo espontâneo, para atender à demanda de um público cansado dos encontros formais, seminários e congressos onde poucos falavam sobre temas que nem sempre interessavam a todo mundo.

Então a desconferência traz um formato onde não existem conferencistas, ou melhor, todos podem inscrever seus temas e propor debates em uma grade programação livre e democrática para que qualquer um se inscreva e participe.

Salas, refeitórios, áreas de convivência e até um árvore frondosa podem servir de espaço para abrigar uma reunião, debate, entrevista ou apresentação propostos por algum desconferencista. Em todos os casos, estes espaços se transformam em espaços livres de conversação.

CEM: Por que fazer uma desconferência sobre a Lei Rouanet?

A comunidade disposta a este debate é bastante diversificada. Pessoas com os mais variados interesses, públicos e privados, imediatos ou estratégicos, conceituais e pragmáticos, se compõem para esta discussão.

Reunir estas pessoas em uma palestra ou conferência tradicional não daria conta das possibilidades de exploração do tema, além de parecer um pouco autoritário já que alguém teria que decidir quem fala e quem escuta numa situação como esta.

quarta-feira, 7/maio/2008

Desconferência do Cultura e Mercado



A Papagalis está organizando a metodologia de conversações para o Cultura e Mercado que promove um encontro de agentes culturais para debater o tema mais polêmico da atualidade, a Lei Rouanet. A primeira Desconferênacia Geral de Cultura e Mercado será realizado no Museu de Arte Moderna de São Paulo, no dia 19 de maio, e fará diagnóstico e trará propostas para o impasse gerado em torno da Lei.

O encontro terá quatro momentos. O primeiro é de “celebração”, com abertura, boas vindas e exposição da metodologia, durante o café da manhã. Depois, será a vez do “diagnóstico”, reunião em grupos de discussão sobre questões definidas coletivamente, para compreensão e diagnose mais ampla do tema.

Na parte da tarde, será a vez das “propostas”. Num ambiente livre aberto e democrático de exposição e debate, os participantes poderão apresentar propostas efetivas para o aprimoramento da Lei Rouanet. Por último, haverá um “ato cívico”, com a compilação de propostas e interlocução com instâncias político-representativas para a efetivação de aprimoramentos necessários ao bom exercício do dispositivo legal em questão.

Em breve, no Cultura e Mercado, instruções sobre como se inscrever e participar.

domingo, 8/julho/2007

Se inscrevendo na programação

Bento Andreato, líder metanóico e ativista cultural brasileiro, registra seu tema na grade programação da desconferência que rolou no espaço Unimaster. Eu também estive lá, claro.

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