Aprender a promover uma Gestão do Conhecimento descentralizada, distribuída, que integre os diversos tipos de usuários e mantenha sua sintonia com as necessidades reais das diversas equipes é um grande desafio.

A Aprendizagem Informal é o primeiro passo para a formação de uma cultura de colaboração pois ela parte das redes socials que já existem na empresa. As conversações acontecem na empresa a partir das relações de amizade, interesse ou casualidade estabelecidas entre os colaboradores. Muitas vazes essas relações são supra-hierárquicas, ou seja, as conversações também acontecem entre pessoas de áreas diferentes, que atuam na empresa nos mais variados contextos.

Essa rede informal de relacionamentos é a base de formação de uma rede social de aprendizado. É pela amizade, companheirismo ou solidariedade que os veteranos ensinam para os novatos. O interesse em ver tudo funcionando muito bem leva os sêniors a motivar os jũniors,

Os líderes de equipe devem se conscientizar da importância das redes existentes, identificando-as e criando oportunidades para que elas se dinamizem.

Mas que essa relação entre os líderes e as redes sociais da empresa aconteça de modo não-invasivo. Qualquer movimento de um líder em enquadrar uma rede já existente pode provocar um mal-estar de inadequação ou mesmo revolta entre os membros que irão, simplesmente, abandonar a rede ou reduzir sua participação a níveis desprezíveis.

Geralmente não é muito indicado oficializar as redes, cristalizando-as em grupos e agremiações. Pelo contrário, o caráter espontâneo destas redes deve ser preservado e o direito de entrar e sair das redes tem que ser garantido para qualquer pessoa, respeitando ao máximo suas motivações, interesses e capacidades.

Uma das mais instigantes definições de Comunidades de Prática está no livro de Terra e Gordon - “Portais Corporativos - A Revolução na Gestão do Conhecimento” (Negócio Editora, 2002) que encontramos uma das definições mais lúcidas e atuais sobre Comunidades de Prática

De acordo com os autores, “Comunidades de Prática é um termo que se refere às maneiras como as pessoas trabalham em conjunto e/ou se associam a outras naturalmente. Ele reconhece e celebra o poder das comunidades informais de colegas, sua criatividade e seus recursos para resolver problemas, e sua habilidade de inventar maneiras melhores e mais fáceis de resolver seus desafios. O que mantém os membros da CdP juntos é um sentimento comum de propósito e uma necessidade real de saber o que os outros sabem.”

E continuam, “Comunidades de Prática (CdP) consistem em pessoas que estão ligadas informalmente, assim como contextualmente, por um interesse comum no aprendizado e na aplicação da prática. As CdPs vão além dos limites tradicionais dos grupos ou das equipes de trabalho. Essas redes de trabalho podem se estender bem além dos limites de uma organização. Membros de CdPs podem fazer parte de um mesmo departamento , serem de diferentes áreas de uma companhia , ou até mesmo de diferentes companhias e instituições. Eles podem criar “clubes” semi-abertos, em que a participação se baseia em relações de forte confiança e na contribuição que cada um traz para a comunidade ou rede. Uma distinção importante entre CdPs e forças-tarefa/equipes é que a participação em CdPs normalmente é voluntária. Isso significa que embora a participação seja aberta em muitos casos, ela só é verdadeira se as pessoas atingem um certo nível de participação ( mesmo “ouvir” ativa e atentamente).”

Ou seja, a formação das Comunidades de Prática só terá eficácia se acontecer a partir da organização e consenso entre os próprios colaboradores, que devem ter em mãos a capacidade de planejar, criar, povoar, desenvolver, medir, gerir e avaliar suas próprias comunidades;

Estabelecer uma Comunidade de Prática ancorada em um ambiente virtual implica em alterar o eixo das relações entre os colaboradores. As ferramentas virtuais como blog, wiki e grupos de discussão passam a ordenar e intermediar as relações inter-colaboradores, e entre os colaboradores e o conhecimento.

Se entre os membros das equipes já não houver um fluxo de conversações cotidiano e sessões freqüentes de aprendizado colaborativo, o impacto da migração para o meio virtual poderá ter o efeito contrário de inibir e não estimular as trocas e a produção de conhecimento na empresa.