Arquivo de janeiro 2010

Micro-encontros de conversação no Campus Party


headphones

Upload feito originalmente por Ken Reppart

Quando digo a alguém que durante sete dias mais de 6000 pessoas se reúnem em um colossal acampamento de tecnologia com acesso de altíssima velocidade à Internet, invariavelmente as pessoas que nunca ouviram falar do Campus Party se espantam. A edição de 2010 foi a terceira do Brasil. Diversos mega-encontros como estes acontecem promovidos pela Telefônica em diversas localidades do mundo como Espanha e México, entre outros.
No ano passado a Papagallis já havia participado organizando conversações no Campus Verde, uma seção dedicada à sustentabilidade no Campus Party. Deste vez estivemos a convite do Instituto Vivo promovendo uma série de micro-encontros onde convidados das mais diversas áreas refletiram sobre a pergunta: Afinal, quando estamos conectados estamos em rede?

Confesso que tivemos uma dificuldade enorme na realização deste projeto. Convidar as pessoas não foi complicado. Preparamos uma lista com quarenta pessoas duas semanas antes do evento e saímos convidando por email, twitter e telefone. Praticamente todos toparam e quase todos vieram. Preparar o local de conversação também foi simples. A Vivo montou um lounge com mesas redondas dentro da área dos campuseiros com cadeiras confortáveis, comes e bebes.

Difícil mesmo foi conversar com tanto barulho! Estávamos logo na entrada da área de campuseiros, bem ao lado da seção de games onde um telão gigante com sistema de som potente rolava Guitar Hero e grandes batalhas. Do outro lado as seções abertas com platéias de quarenta pessoas assistindo palestras de manhã à noite, bastante amplificado. Além é claro de buzinas, gritos e de todo o burburinho do gigantesco balcão onde acontece o Campus Party. Nos encontros pela manhã ainda tínhamos alguma concentração, mas à tarde e no começo da noite chegava a ser infernal! Algumas vêzes saímos pelo campus procurando espaços mais tranquilos entre as bancadas ou perto do camping.

De qualquer modo os encontros aconteceram, as pessoas aproveitaram suas conversações e mais uma vez a perseverança humana superou os obstáculos que impediam a convivência. Mas fica aqui a lição para os organizadores que deveriam se perguntar até que ponto desejam um encongtro de convivência, onde as pessoas possam conversar, ou um evento de isolamento humano, onde todos precisam de fones de ouvido e computadores para poderem se comunicar.

A festa vai começar

Os campuseiros chegaram logo pela manhã, antes mesmo da abertura dos portões às 10h, para buscarem seus lugares na 3ª edição da Campus Party Brasil para a semana mais importante para quem gosta de estar conectado com as novas tecnologias. O credenciamento dos participantes aconteceu durante todo o dia e a estrutura montada no Centro de Exposições Imigrantes [SP] nos dá idéia do por quê tantos inscritos participam deste evento da inovação.

O lounge temático da Vivo mostra que a patrocinadora oficial da seleção brasileira também está conectada nesta festa e a Papagallis veio conferir o espaço onde, durante a semana, vai estimular as conversas sobre como as tecnologias têm transformado as relações humanas.

E o tema que a Papagallis vem propor para os debatedores, e para aqueles que quiserem fazer parte das nossas conversas, é Redes Sociais & Redes Digitais – Quem está conectado aprende e vive em rede? Venha construir conosco esta rede de idéias.

Nossos debates estão previstos para acontecer pela manhã, das 10h às 11h30, depois, das 14h30 às 16h e, no final da tarde, das 17h30 às 19h. Confira a lista de convidados confirmados na programação do www.vivoeduca.ning.com e acompanhe as atualizações do #cpartybr no perfil do @vivoeduca e da @redepapagallis no Twitter.

Redes digitais ou redes sociais. Afinal, quem está conectado vive e aprende em rede?

Além das rodadas de conversações que acontecerão no lounge da Vivo no Campus Party, a Papagallis também está coordenando um debate especial com um confronto de visões antagônicas/complementares muito interessantes.

Grandes especialistas em suas áreas irão explorar esse tema com o entusiasmo que lhes é peculiar. Quem? Augusto de Franco (Escola de Redes), Bob Wollheim (Sixpix), Martha Gabriel (professora e consultora de mídias sociais), Walter Lima Jr (pesquisador e professor da Faculdade Cásper Líbero), e Luiz Algarra – Mediador (Papagallis).

Onde? Arena dos Campuseiros

Quando? Quinta (28/jan), as 20h

Conversações Vivo em Rede no Campus Party 2010


Mais uma vez a equipe Papagallis estará participando ativamente do Campus Party, desta vez coordenando as conversações para o Instituto Vivo.

Todos que tiverem acesso à Campus Party 2010 estão convidados para os Encontros de Conversação Vivo em Rede. Os encontros acontecerão no espaço da Vivo dentro da área do Campus Party e serão organizados em conversações livres entre convidados especiais e com a participação da platéia.

Entre os dias 25 e 31 de janeiro esperamos no Lounge Vivo, na Arena dos Campuseiros, algo entre trinta e cinquenta pessoas por encontro. Teremos encontros acontecendo em três horários de segunda à sexta: das 10h as 11h30 (exceto segunda); das 14h30 as 16h; das 17h30 as 19h.

Os encontros terão como tema inicial uma provocação acerca dos conceitos atuais sobre redes sociais: ‘Redes digitais ou redes sociais. Afinal, quem está conectado vive e aprende em rede?’

Até agora já temos confirmadas as presenças de: Fernando Barreto, Helder Araújo, Dalton Martins, Luiz de Campos jr, Wagner Merije, Eduardo Melo, Pedro Markun, Vivianne Amaral, Lucas Longo, Gil Giardelli, Gilberto Jr, Juliano Spyer, Gustavo Fortes, Pedro Doria, Rapha Vasconcellos, Pollyana Ferrari, Lala Deheinzelin, Érica Casado, Martín Restrepo, Paulo Voltolino, Marcelo Tripoli, Ivana Bentes e Carlos d’Andréa, entre outros.

Em breve teremos mais detalhes sobre mais esta atividade da Papagallis, ok?

Participe da CIRS

Falando sozinho em rede




Thinking in Color

Upload feito originalmente por ripplemdk

Algumas pessoas me perguntam por onde podem começar a construir uma rede. Geralmente respondo: – Comece conversando consigo mesmo!

Temos uma usina interna de interatividade. Nossa atividade mental nos mantém em um conversar solitário que, na maior parte do tempo, nem nos damos conta de que está em ação.

Nossos pensamentos se realizam através das palavras. Encadeamos pensamentos organizando idéias expressas em frases. Compomos parágrafos que conectam memórias e sensações. Tudo emerge como um texto meio desconexo mas que faz pleno sentido para quem está pensando sua própria narrativa.

Se você perceber este seu fluxo interno de pensamentos poderá identificar palavras que normalmente compõem seu universo linguístico. Claro, não pensamos com palavras que não conhecemos. Neste universo de palavras conhecidas que flui em nossos pensamentos está impressa nossa história pessoal, nossas explicações sobre o que vivemos em nosso passado.

Temos em nosso linguajear interno uma pessoa completa, falando o tempo todo!

Então, eu pergunto, se temos uma pessoa dentro de nós que fala, e que podemos ouvi-la a qualquer momento, então quem é este outro que escuta? E mais, estes dois podem conversar?

Faça uma experiência, se é que você já não a fez: fale seus pensamentos em voz alta enquanto os pensa. Siga, de preferência sozinho para não parecer maluco, falando o que pensa durante alguns dez ou quinze minutos, e perceba como este seu falar de algum modo influencia seu fluxo de pensamentos.

O som da própria voz, a necessidade de organizar o fluxo não-linear de pensamentos em uma narrativa verbal minimamente coerente e até o pequeno esforço de articular os músculos de sua face, apenas estas coisas já afetarão seu pensar.

Nossos pensamentos não estão em algum lugar dentro de nós, prontos para serem pensados. Eles surgem num fluir conversacional interno em uma experiência íntima de socialização! Nossos diálogos interiores são expressões de nossa linguagem em um espaço relacional privado.

Não podemos nos aproximar da experiência íntima do pensar de uma outra pessoa, pelo que se sabe não temos esta capacidade. Mas podemos seguir percebendo nossos próprios pensamentos, a qualquer momento.

Veja por exemplo quando você se vê em uma situação inesperada, mas ainda com alguns instantes antes de reagir por impulso. Perceba que em um momento como este é possível perceber a formação de um pensamento numa construção de palavras que irá, logo a seguir, determinar sua reação à situação que se apresenta.

Note que este o pensamento que vai determinar sua ação pode ser ouvido e até dá tempo de você pensar sobre algo sobre ele! Então você pode escolher entre agir como seu pensamento surgiu ou seguir sua reflexão sobre o que você pensou! Uma escolha simples mas que já amplia seu campo pessoal de expressão, certo?

Assim funcionam as conversações, elas trazem novas possibilidades, novas escolhas para nossas vidas. Mesmo conversando consigo mesmo, encaixando frases é possível ter um ganho significativo acerca das possíveis ações em nossas vidas.

Este é um grande benefício das redes sociais, trazer constantemente reflexões diferentes sobre o viver de cada um. E nestas diferenças vamos nos modelando uns aos outros de modo livre espontâneo, realizando e especificando nossa espécie humana.

Agora, para ampliar ainda mais suas possibilidades, converse com alguém sobre o que você conversou consigo mesmo. O resultado pode mesmo até melhor, certo?