Gostaria de falar um pouco sobre “desire lines” ou “social trails”, um conceito que sempre me fascinou em minhas reflexões sobre a inteligência natural das multidões humanas. Vou traduzir aqui livremente o conceito como “trilhas espontâneas”.
A trilha espontânea é um caminho traçado pela erosão das pisadas humanas que estabelecem um atalho lógico entre dois pontos de origem e destino. Geralmente ocorre como alternativa natural a um trajeto formalmente definido que, de algum modo, não parece fazer sentido para as pessoas em seu caminhar cotidiano.
A largura e profundidade de um trilha espontânea indica sua frequência de uso e popularidade, e seu trajeto demonstra a inteligência de grupo, o senso de praticidade e a capacidade de adaptação natural de seus usuários.
Metaforicamente, empresas, instituições e organizações apresentam trilhas espontâneas estabelecidas por pessoas que criam ajustes, correções e alterações práticas em seus processos formais.
Geralmente estas trilhas espontâneas visam facilitar o encadeamento das ações realizadas pelos usuários, poupando esforços e recursos na execução das atividades ordinárias.
O entendimento dos ajustes propostos pelas pessoas nas trilhas espontâneas pode indicar alterações de processos preciosas e inteligentes, ou apontar para simplificações que visam apenas manter o conforto e o bem estar dos executantes das tarefas.
De qualquer modo vejo nas trilhas espontâneas a afirmação de um espaço de decisão da maioria, algo que confronta naturalmente os projetos de controle que desconsideram o indivíduo. Desse modo se um grande número de pessoas insiste em repetir um determinado comportamento que transgride algumas das regras impostas por um sistema, talvez valha a pena reunir o grupo e investigar o que está ocorrendo. Pode ser que haja aí um grande valor não-percebido.
Coletivos de pessoas costumam ter um senso prático bastante acurado, e que pode ajudar a definir uma série de inovações de processos importantes. Para aproveitar isto, é preciso respeitar as pessoas em suas livre-expressões e propor diálogos onde o conhecimento possa ser elaborador e compartilhado pelo grupo.

















